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Como Nossa História Começou

Por Danielle de Oliveira Moreira



Complexo Florestal Linhares-Sooretama
Complexo Florestal Linhares-Sooretama

Há 15 anos, em 2011, um grupo de jovens pesquisadores formava o que viria a ser um importante programa de conservação na Mata Atlântica capixaba – o Pró-Tapir. Mas essa história iniciou alguns anos antes, em 2006, quando Andressa Gatti, uma então aluna de mestrado, que, decidida a estudar as antas do Espírito Santo, buscou os primeiros registros dessa espécie no estado. Logo depois de finalizar seu mestrado, Andressa articulou meios de conseguir um apoio financeiro de uma empresa para as primeiras atividades de pesquisa do Programa. Foi aí que o Pró-Tapir iniciou sua história, em janeiro de 2011, como um Programa de Monitoramento das Antas na Mata Atlântica Capixaba


Lembro-me, ainda hoje, de quando Andressa me convidou para fazer parte do seu tão sonhado grupo de pesquisa de antas. O ano era 2010, e estávamos realizando nosso doutorado no Programa de Pós-graduação em Biologia Animal da Universidade do Espírito Santo. Eu aceitei prontamente (mesmo tendo pouca experiência de campo), pois considerava aquela ideia ousada e totalmente possível. Algumas semanas depois, após algumas discussões e encontros, nos reunimos em um laboratório do terceiro andar do antigo prédio da Biologia da UFES, ainda no Campus de Maruípe. Na ocasião, já éramos cinco pessoas e procurávamos um nome para esse novo grupo que havia se formado. Como “Programa de Monitoramento e Conservação de Antas no Espírito Santo” seria um nome muito longo para reproduzirmos em diferentes falas, eu disse: vamos encurtar isso aí – “Programa” pode se tornar “Pró”. Mas Pró-Anta não parecia ser muito convidativo. Então, em meio a várias sugestões, alguns de nós sugeriram o “Tapir” – uma variação de um dos nomes indígenas para a anta. Agora sim! Pró-Tapir era o nome ideal. E pegou muito bem!


Andressa Gatti
Andressa Gatti

Foi a partir daí que o Pró-Tapir iniciou suas atividades. Na época, o Pró-Tapir era um programa de pesquisa abrigado pelo Instituto Marcos Daniel (IMD), que nos proporcionou uma estrutura administrativa-financeira para gerenciar os recursos conquistados. A nossa primeira campanha de campo foi realizada em janeiro de 2011, na Reserva Biológica do Córrego do Veado, com coletas de amostras de fezes de antas. Alguns dias depois, já estávamos na RPPN Recanto das Antas e na Reserva Biológica de Sooretama, coletando também essas ricas amostras. Foram dias intensos, de muito aprendizado, reconhecimento das áreas e da própria equipe. Muitas imagens daqueles dias fatídicos ainda estão bem nítidas na minha mente, como as piadas e risadas, as descobertas das nossas áreas de estudo e, claro, da nossa primeira anta como equipe – uma história que pode ser resgatada nesta postagem.


Jade Huguenin
Jade Huguenin

Danielle Moreira
Danielle Moreira

Expansão dos Horizontes


O Pró-Tapir, que atuava como um Programa de Monitoramento e Proteção das Antas da Mata Atlântica Capixaba, passou a abrir mais o seu interesse de pesquisa para os ungulados (antas, catetos, queixadas e veados) com o passar dos anos. Assim, em 2019, nos tornamos um Programa de Monitoramento e Proteção dos Ungulados na Mata Atlântica Capixaba. Nessa época, já estávamos realizando nossas atividades por conta própria, fechando nosso ciclo com o IMD. Durante nosso pós-doutorado, meu e da Andressa, realizamos pesquisas com o apoio do Laboratório de Biologia da Conservação de Vertebrados (LBCV), coordenado pelo Dr. Sérgio Lucena Mendes, nosso supervisor. O Sérgio e outros membros atuantes do LBCV apoiaram o Pró-Tapir ativamente e em diferentes momentos. Lá, nossa equipe cresceu, como uma família ganhando novos membros, em um espaço colaborativo onde exercitamos nossa capacidade de gestão e captação de recursos para nossas ações até o ano de 2020.


Entrega do kit Dona Anta e seus amigos da floresta
Entrega do kit Dona Anta e seus amigos da floresta

Após tantos anos de existência, a maioria das pessoas não acreditava que ainda não éramos, oficialmente, uma organização da sociedade civil. Desta forma, em 2021 oficializamos a existência do Pró-Tapir, nos tornando o Instituto Pró-Tapir para a Biodiversidade, ampliando nossa atuação para toda a biodiversidade, mas sem nunca esquecer das nossas raízes. Nos últimos anos, entre 2021 e 2025, quando não conseguimos realizar novos projetos de pesquisa, seja por desafios de recursos ou de equipe, nossa existência seguiu frutífera. Durante a pandemia, criamos o Kit Dona Anta e seus amigos da Floresta para crianças das escolas próximas das unidades de conservação do ES, mantendo a educação ambiental acesa mesmo em um período tão delicado para a sociedade. Nos anos seguintes, a educação ambiental seguiu forte, sendo nosso carro-chefe de atuação em diferentes contextos no Espírito Santo. Isso mostra que, mais do que projetos, construímos juntos aos nossos parceiros um legado de afeto e compromisso com a natureza.



Espírito Santo: O Berço da Nossa Biodiversidade


Nós temos um enorme orgulho de dizer que o Espírito Santo foi a terra fértil que fez gerar como fruto o Pró-Tapir, que cresceu próspero e forte em seu propósito. A floresta desse estado e toda a sua biodiversidade são uma das maiores riquezas da Mata Atlântica. O capixaba deve se orgulhar de ainda abrigar um tesouro como a Rebio do Córrego do Veado, em Pinheiros, e a Rebio de Sooretama, em Sooretama e Linhares, onde fica o principal bloco de Floresta de Tabuleiro protegido de Mata Atlântica. Essas duas áreas são uma das últimas do Espírito Santo onde ainda é possível encontrar antas, queixadas, onças-pardas e uma imensa diversidade de aves e plantas. Além delas, o estado ainda possui várias áreas naturais, protegidas ou não, igualmente importantes. Essas áreas não só protegem nascentes e espécies ameaçadas, mas também garantem qualidade de vida e abrem portas para o desenvolvimento sustentável no estado. Preservar a biodiversidade não é apenas uma questão ambiental; é também uma oportunidade econômica e de valorização do patrimônio e da cultura local. O ecoturismo, a pesquisa científica e a educação ambiental podem gerar renda, capacitação e visibilidade para os municípios que englobam essas áreas, mostrando ao Brasil que é possível crescer junto com a natureza. 


Dispersando Conhecimento e Plantando Ideias


E é com esse espírito, após 15 anos de existência, que estamos cheios de planos para fortalecer as ações de conservação da biodiversidade capixaba e brasileira. O Pró-Tapir possui membros e colaboradores em diversas regiões do país e atua como um guarda-chuva institucional para projetos parceiros, como o Projeto Queixadas, da nossa amiga Conselheira Científica do Pró-Tapir, Dra. Alexine Keuroghlian, no Pantanal do Mato Grosso do Sul e  o Projeto Felinos, idealizado por nossa querida Conselheira Científica Dra. Ana Carolina Srbek-Araujo, no Espírito Santo. Nossos membros e parceiros possuem uma experiência notável com a conservação de mamíferos silvestres, e um deles é o nosso Conselheiro e parceiro de longa data, Dr. Paulo Mangini, médico veterinário que apresenta uma atuação focada em animais silvestres, principalmente ungulados. Todos esses projetos e parcerias foram idealizados há anos por esses maravilhosos pesquisadores, que ajudaram a trilhar o caminho que hoje seguimos, e que nos deram a honra de construir juntos uma linda aliança. Além disso, outros projetos parceiros estão em fase de planejamento e iniciando, o que nos dá energia para continuar trilhando esse caminho tão importante.


Após todos esses anos, queremos continuar a pesquisar e traçar ações para a conservação da biodiversidade e, principalmente, nos envolver ainda mais com a comunidade em ações de educação e conservação, e fortalecer a proteção da biodiversidade junto ao setor público. Com toda essa rede de cooperação temos um objetivo comum: dispersar conhecimento, plantar ideias e conectar pessoas à conservação da biodiversidade.

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